quarta-feira, agosto 25, 2010
Descoberto o sistema solar mais parecido com o nosso - Ciências - PUBLICO.PT
É a grande notícia no meio científico do dia de hoje, sendo, sem qualquer dúvida, motivo suficiente para voltar a colocar um novo artigo neste blog raramente actualizado.
Todos nós sabemos, fora de qualquer outro motivo, que todos nós esperamos por aquele dia em que alguém das notícias venha com uma notícia do género "encontrado planeta com vida idêntico à Terra - fortes provas de existência de vida inteligente". Fora isso, ficamos sempre desiludidos por esse momento nunca mais chegar, mas é preciso ver, devido às leis relativistas, qualquer viagem ao encontro de um destes planetas está condenados a durar a mais do que o tempo da duração de uma vida humana. É preciso evoluir a nossa ciência ao ponto da hibernação e prolongamento da vida, ou, quanto muito, do desenvolvimento de sondas capazes de alcançar locais propícios à colonização pelas formas de Vida deste planeta.
Ainda assim, podemos dar-nos por satisfeitos por conseguirmos ser capazes de inventariar planetas extra-solares, coisa que há mais de vinte anos, estaria apenas no sonho de uns poucos. No futuro, quem sabe... o que poderemos vir a fazer... mas existe uma coisa que é preciso não esquecer: é melhor manter a casa arrumada do que aventurar-nos por esse universo fora para depois cairmos noutro planeta e voltar a repetir os mesmos erros que cometemos neste nosso "berço".
domingo, maio 23, 2010
At some point these machines will start wondering whether we humans are really like them or not. They might propose a ‘reverse Turing test’ to see whether we are intelligent, but we would certainly fail that. More relevant here, they might try to invent a ‘reverse Turing test’ to find out whether we are conscious. They would no doubt confront all the familiar problems of subjectivity and other minds. But by the time this happened we would probably already be treating them as conscious beings like ourselves, whether or not we have resolved the problems of consciousness.
Funny is to think about future times where there will be robots among us and they will wonder "Is the humans really what they think they are!?". And they themselves will purpose their own test. I think it's a test that will answer if humans are robots or not.
The Ethology father, Konrad Lorenz, proposed once as the postulates that founded this science, one that says "any species treats others like belonged to its own species". Dogs, by its instincts, "think" that we are "dogs". Parrots think that we humans are "parrots", too, and behave accordingly with that.
Even we humans think and treat other species individuals that they were humans too. We don't see people "talking" with their pets, as those pets belonged to their brethren ? We, humans, after all, are no different than other species. This "extended Turing test", as we can call it, could be seen as a way a species could determine if another individual could belong to their species or not. When we are talking about individuals, I'm not distinguishing if they are biological (or carbon-based) or not so (silicon-based). I'm starting from the point of view that states that any lifeform, independently of their chemical basis, can reproduce itself.
sábado, maio 08, 2010
oração à grande classe Object
Meus irmãos programadores JAVA, peço que parem a vossa programação e que oremos à grande classe Object, mãe de todas as nossas classes.
Rogamos a Ela que nunca nos falte com o seu grandioso método toString(), a sua maior dádiva para todos nós, à qual recorremos nos nossos momentos de maior aflição, quando não conseguimos ver o que está no interior das variáveis.
Demos também graças ao equals(), que nos permite comparar tudo, desde sardinha com um elefante, ou um frigorífico com uma bactéria.
Ele também nos permite o milagre da multiplicação, com o clone().
Não pemitas que o teu wait() fique muito tempo fazendo esperar as threads pelos teus filhos, de forma que o notify() venha logo libertá-los do mortífero deadlock.
Finalmente roguemos à grande classe Object, que nos mantenha afastados do maior mal de todos nós, o NullPointerException.
quarta-feira, março 24, 2010
A medusa imortal

Fiquei estarrecido com as notícias de um “animal mortal” esta semana, que claramente, mereceria da minha parte um artigo neste blog das “coisas estranhas que existem realmente” e que supostamente se trataria de uma medusa de diminutas dimensões, e como é claro, fui saber mais a respeito de semelhante criatura. Fiquei a saber que se trata de uma minúscula medusa (nome que se dá tecnicamente a uma “alforreca”, para aquelas que nã
o sabem o que é uma medusa) com uns poucos milímetros de diâmetro. Esta, não é daquelas que costuma dar à costa e provocar irritação em quem as pisa sem querer. É praticamente imperceptível à vista desarmada, de forma que duvido que provoque qualquer problema aos banhistas.Para não ter de estar sempre a lembrar-me de semelhante nome, vou alcunhá-la, e como ela é pequenita, de “turrita”. Ora a nossa alforreca “turrita” é imortal. Quer dizer, depois de nascer, nunca mais morre. Mas é preciso ver com atenção, como é que ela obtém esta suposta “imortalidade”. Obviamente, como diz o ditado, quando a esmola é demasiada, o pobre desconfia. E fui investigar... Eu não sei se os meus leitores alguma vez se interessar saber mais sob a vida de alforrecas (eu duvido, já que deve suscitar o mesmo interesse que conhecer a vida das baratas), mas acontece que estes seres não são sempre “alforrecas”. Quando eu digo que não são sempre “alforrecas”, refiro-me a que nem sempre são aquelas criaturas de aspecto gelatinoso e transparente com aspecto de chapéu de chuva invertido e tentáculos, que se não temos cuidado na praia, podemos pisar e lixar-nos bem um dia de férias.
Não, acontece que quando duas alforrecas (ou neste caso, “turritas”, acasalam), o bebé não é uma alforrequinha pequena. O ser que nasce do ovo é uma coisa conhecida como pólipo, que mais se parece com um coral, ou seja, é um ser que vive agarrado ao fundo do mar, quase como uma planta, mas não é nenhuma planta. Na realidade, assemelha-se a um conjunto de pequenas alforrecas vivendo em conjunto, como uma colónia. O que este pólipo faz, além de ser capaz de se alimentar, é produzir agora sim, a criatura a que estamos mais familiarizados conhecida por alforreca, neste caso, a nossa turrita. As pequenas turritas nascem como pequenos gomos, como se fossem frutos de uma árvore (aliás, o pólipo nalgumas espécies de cnidários, como os hidróides, ramificam-se de tal modo que parecem uma verdadeira “árvore animal”), e que, quando estão “maduros”, se separam do pólipo que é como uma espécie de maternidade, e a partir daí, vão-se desenvolvendo até dar origem à forma de alforreca que nos é familiar. E agora vamos ao centro da questão, o que faz a turrita ser imortal. Em circunstâncias normais, duas alforrecas, ou melhor um “alforreco” e uma “alforreca” lançam os seus gâmetas na água e ocorre fecundação, que dá origem a um novo pólipo – a tal “árvore de alforrecas”. Acontece é que, em circunstâncias em que há poucos recursos que assegurem a sobrevivência das pequenas “turritas”, como por exemplo, pouco alimento, as nossas pequenas amigas são capazes de se transformar, e sem precisar de reprodução, de, a partir do estado adulto, voltarem a dar origem a um pólipo novo, daí, podendo dizer-se que são “imortais”. É preciso ver, em primeiro lugar, que a noção de indivíduo na “turrita” não faz muito sentido, porque o pólipo, que antes era um indivíduo adulto, vai dar origem a várias novas alforrecas e o mesmo correcto é dizer que a nossa “turrita” se multiplica em várias cópias, ou melhor dizendo, clones, de si própria, perdendo-se assim, portanto o “indivíduo original”. Era como se eu pudesse fazer várias cópias de mim próprio, mas ao custo de eu, a partir desse ponto, deixar de existir, porque teria de ser, a partir de partes separadas do meu corpo, que nasceriam os novos indivíduos. Por isso toda esta conversa de “imortalidade” tem que se lhe diga. Para mais, é preciso ver que as pequenas “turritas”, depois de se separarem do pólipo que lhes deu origem, podem ser devoradas por qualquer uma dessas criaturas que povoam os mares e que se alimentam de plâncton, uma vez que as pequenas alforrecas são tão pequenas, que facilmente encaixam dentro daquilo que se consideram plâncton. Ou seja, elas podem muito bem ser imortais, mas podem acabar dentro da barriga de uma enorme baleia.
Bom, depois disto tudo, não sei se vai haver uma corrida à caça de “turritas” por parte do pessoal amigo de aquários, ou outros charlatões, para depois gabarem-se dizendo, tenho um “ser imortal” dentro do meu aquário, que gostariam de dar conhecer. Se calhar depois até se podia fazer um negócio, se houvesse dispostas a pagar para ver o bichinho, que apesar de tão pequeno pode conseguir viver enquanto ninguém lhe deitar a mão... ou a boca !
terça-feira, março 23, 2010
deixo aqui a citação que encontrei no IMDB:
[first lines]
Elliot, Age 9: You've heard about sex...
Beverly, Age 9: Sure I have.
Elliot, Age 9: Well I've discovered why sex is.
Beverly, Age 9: You have? Fantastic.
Raffaella: It's because humans don't live under water.
Beverly, Age 9: I don't get it.
Elliot, Age 9: Well, fish don't need sex because they just lay the eggs and fertilize them in the water. Humans can't do that because they don't live in the water. They have to - internalize the water. Therefore we have sex.
Beverly, Age 9: So you mean humans would have sex if they lived in the water?
Elliot, Age 9: Well they'd have a kind of sex. The kind where you wouldn't have to touch each other.
Beverly, Age 9: I like that idea. Have you heard of scuba diving? It's just new.
Elliot, Age 9: Self Contained Underwater Breathing Apparatus.
Beverly, Age 9: Exactly.
Elliot, Age 9: [noticing girl on porch] Are you thinking what I'm thinking?
Beverly, Age 9: Yeah, you ask her.
Elliot, Age 9: Raffaella, will you have sex with us in our bathtub? It's an experiment.
Raffaella: Are you kidding? Fuck off you freaks. I'm telling my father you talk dirty. Besides, I know for a fact you don't even know what fuck is.
[retreats into her house]
Elliot, Age 9: [walking away] They're so different from us. And all because we don't live under water.
sábado, novembro 14, 2009
O grande jogo/A experiência
Call it the Star Crate.
For three million years, it had circled Saturn, waiting for a moment of destiny that might never come. In its making, a moon had been shattered, and the debris of its creation orbited still.
Now the long wait was ending. On yet another world, intelligence had been born and was escaping from its planetary cradle. An ancient experiment was about to reach its climax.
Those who had begun that experiment, so long ago, had not been men -- or even remotely human. But they were flesh and blood, and when they looked out across the deeps of space, they bad felt awe, and wonder, and loneliness. As soon as they possessed the power, they set forth for the stars.
In their explorations, they encountered life in many forms, and watched the workings of evolution on a thousand worlds. They saw how often the first faint sparks of intelligence flickered and died in the cosmic night.
And because, in all the galaxy, they had found nothing more precious than Mind, they encouraged its dawning everywhere. They became farmers in the fields of stars; they sowed, and sometimes they reaped.
And sometimes, dispassionately, they had to weed.
The great dinosaurs had long since perished when the survey ship entered the Solar System after a voyage that had already lasted a thousand years. It swept past the frozen outer planets, paused briefly above the deserts of dying Mars, and presently looked down on Earth.
Spread out beneath them, the explorers saw a world swarming with life. For years they studied, collected, catalogued. When they had learned all that they could, they began to modify. They tinkered with the destiny of many species, on land and in the ocean. But which of their experiments would succeed they could not know for at least a million years.
They were patient, but they were not yet immortal. There was so much to do in this universe of a hundred billion suns, and other worlds were calling. So they set out once more into the abyss, knowing that they would never come this way again.
Nor was there any need. The servants they had left behind would do the rest.
On Earth, the glaciers came and went, while above them the changeless Moon still carried its secret. With a yet slower rhythm than the polar ice, the tides of civilization ebbed and flowed across the galaxy. Strange and beautiful and terrible empires rose and fell, and passed on their knowledge to their successors. Earth was not forgotten, but another visit would serve little purpose. It was one of a million silent worlds, few of which would ever speak.
And now, out among the stars, evolution was driving toward new goals. The first explorers of Earth had long since come to the limits of flesh and blood; as soon as their machines were better than their bodies, it was time to move. First their brains, and then their thoughts alone, they transferred into shining new homes of metal and of plastic.
In these, they roamed among the stars. They no longer built spaceships. They were spaceships.
But the age of the Machine-entities swiftly passed. In their ceaseless experimenting, they had learned to store knowledge in the structure of space itself, and to preserve their thoughts for eternity in frozen lattices of light. They could become creatures of radiation, free at last from the tyranny of matter.
Into pure energy, therefore, they presently transformed themselves; and on a thousand worlds, the empty shells they had discarded twitched for a while in a mindless dance of death, then crumbled into rusty
Now they were lords of the galaxy, and beyond the reach of time. They could rove at will among the stars, and sink like a subtle mist through the very interstices of space. But despite their godlike powers, they had not wholly forgotten their origin, in the warm slime of a vanished sea.
And they still watched over the experiments their ancestors had started, so long ago.
sábado, janeiro 03, 2009
Coisas estranhas que existem... realmente!
Enquanto frequentava o curso de Biologia na FCUL, no primeiro semestre do primeiro ano do curso, tive uma cadeira que se chamava "Biologia Animal I" e que, na prática, consistia em descrever todos os filos do Reino Animal da parte que são normalmente como pertencendo classicamente aos invertebrados. Então fiquei a conhecer algumas criaturas das mais estranhas que se possam imaginar... que mais pareciam como habitando um outro planeta qualquer... que não o nosso! Estas criaturas mais pareciam como que saídas de um argumento da série que estava em berra na altura (estávamos em 1995) - Ficheiros Secretos (original X-Files) - mas o que mais estranhava é que não eram ficção - existiam mesmo! Estranho nenhuma série da vida selvagem da BBC ou National Geographic ter falado alguma vez nelas.
Dei um exemplo duma dessas estranhas criaturas num post anterior - a lesma-do-mar meio planta meio animal - que, se conseguisse transmitir os cloroplastos adquiridos nas suas células germinais seria capaz de dar um passo evolutivo de tal forma notável que constituria todo um novo reino de seres vivos - os híbridos "animal+planta", que no futuro, iria eventualmente - quem sabe?! - extinguir os indivíduos dos outros reinos preponderantes no nosso planeta - Animal e Vegetal.
Pretendia então começar pelo primeiro dessas seres - o Trichoplax adhaerens - que, quando foi descoberto, teve que ser criado todo um novo filo - de nome Placozoa - só para o poder encaixar na extensa árvore do Reino Animal. Este ser, basicamente, na forma, faz lembrar algo que se parece com uma fatia de fiambre. Ora, agora imaginem que esta fatia de fiambre era capaz de se mexer sozinha, arrastando-se sobre uma superfície, mais ou menos como um caracol, e, para poder comer - colocava-se por cima das presas, vamos imaginar, uma inofensiva mosca, e depois segragava um líquido, semelhante a saliva para poder "desfazer" as presas, de forma a poder digeri-las mais tarde sem problemas (ao estilo de uma pessoa que não tem dentes, a quem se desfaz a comida em pedacinhos, só para as poder engolir sem mastigar!). Esta necessidade de digerir a comida externamente, tem a ver com o facto, de ao contrário de uma pessoa, que tem boca, o nossa amigo Trichoplax não ter nada que se pareça com isso, sendo que cada célula da camada que tá em contacto com as partículas resultantes da digestão da presa absorve independentemente a sua parte da comida.
Para se poder reproduzir, o nosso amigo Trichoplax não precisa de ir a um bar engatar Trichoplax fêmeas, basta-lhe que algumas das suas células se separem do corpo maior, o que não é mais que um Trichoplax bébé! Algo como, se visse, para seu horror, uma fatia de fiambre a mexer-se sozinha no chão da cozinha, e a quisesse matar passando-lhe com o pé em cima - esmigalhava a fatia de fiambre em pequeninas partes, sendo que cada uma iria fugir para seu lado, esconder-se para se proteger da sua crueldade!
A analogia com a fatia de fiambre tem os seus limites - evidentemente, na natureza, não há notícias de existirem Trichoplax com dimensões superiores a um milímetro! Por isso, não se assustem, se já estavam a ir à drogaria mais próxima comprar veneno só para fazer face a esta estranha criatura, podem ficar descansados, se bem que o Trichoplax exista mesmo, ele só vive no fundo do mar, ou o máximo que pode acontecer, acabar vivendo dentro de um aquário vosso!
Ficaram interessados em saber mais ? Aqui fica o link para este bicho na Wikipedia (o lugar aonde todos os curiosos vão parar, uma vez por dia pelo menos!): http://en.wikipedia.org/wiki/Trichoplax !
Deixo ainda o link para a história de um biólogo, no primeiro dia em que se confrontou com uma destas estranhas criaturas.
sábado, novembro 29, 2008
Animais que não precisam de comer

Só mesmo uma notícia desta envergadura me poderia fazer voltar a enviar um novo artigo neste blog desde o último que aqui foi colocado, já há mais de um ano. Isto porque hoje de manhã fiquei deliciado, para não dizer que terei delirado, com a notícia que vinha no Jornal Expresso a respeito de uma lesma do mar fotossintética que adquire os cloroplastos necessários à fotossíntese por ingestão de uma alga. Isto fez-me recordar os meus tempos do secundária em que me lembro de ter colocado à minha professora de Biologia do 11ºAno, já lá vão 16 anos, sob a possibilidade de existirem animais com cloroplastos, e, lembro-me da minha ideia ter como base o facto dos cloroplastos serem organelos semi-autónomos, uma vez que, possuindo o seu próprio ADN, são capazes de sintetizar o seu próprio reportório de proteínas e supõe-se que, no passado geológico, há uns "poucos" milhares de milhões de anos, na Terra Primitiva, onde ainda não haveria oxigénio atmosférico, os cloroplastos teriam sido organismos independentes que teriam "inventado" a fotossíntese mas que teriam dificuldade em sobreviver sem ser no interior do citoplasma de células maiores, daí constituindo a relação simbiótica que permitiu o aparecimo do Reino Vegetal. As mitocôndrias, responsável pelo processo biológico "inverso" da fotossíntese, isto é, a libertação da energia acumulada pela fotossíntese em compostos de carbono, processo a que se dá o nome de Respiração Aeróbia, também possuem o seu próprio ADN, mas estas últimas existem tanto em animais como em plantas. Só os cloroplastos é que não conseguiram sobreviver no citoplasma duma célula animal, mas parece que este invertebrado - a lesma-do-mar Elysia chlorotica adquiriu a forma de manter os cloroplastos no interior do citoplasma das suas células epitelias do seu tubo digestivo. Só não conseguiu ainda o passo evolutivo seguinte - transmitir os cloroplastos de geração em geração, transmitindo-os nos seus gâmetas à geração seguinte (esparmatozóides com cloroplastos?!?!?), precisando ainda de ingerir a alga - neste caso a "Vaucheria litorea" de forma a adquirir os cloroplastos necessários, de uma forma ou outra, esta parece ser a única vez que a Elysia precisa de comer, de forma que não precisará de voltar a comer daí a pouco tempo. No artigo onde vem a notícia não responde à pergunta se os indivíduos desta espécie não precisam de se voltar a alimentar novamente durante a sua vida, mas o título do artigo realça o facto extraordinário de um dos genes necessários à fotossíntese ter sido "transmitido", digamos assim, para o genoma da própria lesma - isto é, a lesma possui no seu DNA genes necessários à fotossíntese, mas o que terá acontecido para a lesma ainda não se ter transformado num verdadeiro híbrido "animal+planta" é de reter os cloroplastos e transmiti-los à geração seguinte de lesmas descendentes esses cloroplastas através da sua própria reprodução sem precisar de voltar a ingerir a alga de onde obtém os cloroplastos.
De uma forma ou de outra, esta é uma notícia extraordinária, que passou despercebida a muita gente - uma pesquisa no Google News devolve menos de 100 resultados - o Slashdot, a quem normalmente não escapa nada de novidades no mundo científico e onde qualquer pessoa pode colocar artigos - tem 0 resultados. O que é certo é que uma vez mais a realidade superou a ficção, e eu vi no dia de hoje uma coisa que tinha suposto na minha adolescência como sendo provável tornar-se realidade. Não é todos os dias que uma pessoa se sente assim!
Link para outro artigo interessantíssimo sob esta notícia: http://blogs.discovermagazine.com/loom/2008/11/14/going-green/ - chama a atenção para as consequências fantásticas que podem decorrer desta descoberta - criar animais-planta de forma daonde iremos obter toda a nossa carne ?
quarta-feira, agosto 08, 2007
Se o Buda fosse programador...
Estou a dar uns toques rápidos na linguagem, para ver se reaprendo a programar aquilo que já conheço e que sei fazer em Java. Isto consiste em fazer programas que tenham um sentido prático e útil para mim, de forma que mais tarde possa voltar a pegar neles e reutilizá-los, acrescentado-lhes melhoramentos. Uma dessas ideias é gravar a estrutura de uma árvore de directórios num ficheiro XML, de forma que possa mais tarde recuperá-la facilmente. Fiz uma primeira versão em Python, que funciona optimamente e outra em Java. Agora quero refazer o mesmo programa, mas em
Ruby. E daí ando à procura da API de Ruby em XML que já esteja incorporada na linguagem. Acabei por encontrar o ReXML. Eu estou habituado, e nos dois programas que fiz anteriormente a seguir a API formal recomendada pelo W3C que se chama DOM. Simplifica o processo de ter de estar sempre a (re)inventar a roda quando se
quer fazer a mesma coisa mas em linguagens diferentes. Quando eu entro na página do ReXML, ele faz uma referência ao DOM nos seguintes termos:
REXML avoids The DOM API, which violates the maxim of simplicity. It does provide a DOM model, but one that is Ruby-ized. It is an XML API oriented for Ruby programmers, not for XML programmers coming from Java.
Senti-me 100% desiludido, mas também convencido neste trecho, mas ele continua:
Some of the common differences are that the Ruby API relies on block enumerations, rather than iterators. For example, the Java code:
for (Enumeration e=parent.getChildren(); e.hasMoreElements(); ) {
Element child = (Element)e.nextElement(); // Do something with child
}
in Ruby becomes:
parent.each_child{ |child| # Do something with child }
E logo de seguida conclui com esta afirmação extraordinária:
Can't you feel the peace and contentment in this block of code? Ruby is the language Buddha would have programmed in.
Não faço ideia se os ruby-programmers atingem o nirvana durante a sua jornada diária de programação, ou se a escrita de código em Ruby equivale a uma meditação transcdental.
Sei que durante o workshop de Ruby alguns colegas meus mais experimentados começaram a falar de block enumerations. Senti-me incapaz de os acompanhar. Provavelmente o nível de iluminação atingido por ele ao idealizarem semelhantes estruturas de programação nas suas mentes equivale a uma elevação mental ainda impossível de alcançar por mim, entretanto. Não sei se será a mesma sensação que um músico terá ao escutar a Nona Sinfonia de Beethoven. É tudo uma questão de conseguir lá chegar... o que eu espero vir a conseguir ! ! !
quarta-feira, novembro 15, 2006
Solaris

A obra Solaris, da autoria do polaco Stanislau Lem, foi uma das obras da Ficção Científica que eu já tive maior prazer em ler. Já foi levada ao grande écrã por duas vezes, uma nos anos 60 pelo grande mestre soviético Andrei Tarkovsky e outra mais recentemente pelo oscarizado Steven Soderbergh, tendo como destaque a participação do mediático George Clooney.
Em poucas linhas, a história narra a viagem de um cientista de nome Kelvin a uma estação espacial em órbita do planeta Solaris. Este planeta tem de muito peculiar o facto de estar recoberto por um "mar inteligente" que é, na realidade, um ser vivo de dimensões planetárias. Este ser vivo, como ficou dito, cobre toda a superfície do planeta e é considerado pelos investigadores que se ocupam do seu estudo como uma espécie de "cérebro pensante" de dimensões planetárias.
Ora os cientistas estudam, estudam e mais estudam sobre as implicações deste verdadeiro "mar vivo" sem nunca conseguirem alguma vez perceberem, uma vez que se trata de um ser vivo, o que "impele" esta massa pensante de dimensões planetárias. E um dos grandes desejos nunca concretizado, é o de conseguir comunicar com o mar de Solaris, coisa que em cerca de um século nunca conseguem. Ora, desesperados, decidem lançar um feixe de raios gama na superfície. A resposta do mar, se é que se pode chamar a isso resposta, é a de materializar antigos personagens da vida dos habitantes da estação científica, alguns deles (os personagens) já mortos. Ora, quando os mortos que fizeram parte da vida dos cientistas no passado voltam, sem mais nem menos, ainda por cima num cenário alienígena, o que é poderá acontecer ?
Das duas adaptações à sétima arte, talvez a versão de Tarkovksi seja a mais fiel ao espírito do livro, enquanto que a versão de Soderbergh, mais recente, dá um maior destaque à relação amorosa entre o cientista narrador da história e a sua antiga amante, o que é de esperar, tendo em conta que se trata de um filme Hollywood-made. Nesta última versão, não se dá quase nenhum relevo ao planeta em si, como se fosse um mágico que é chamado para fazer umas magias e depois mandado embora para a audiência.
Mas, para quem gosta de uma boa história de detectives, todo o livro é fascinante, chegando-se ao final sem se perceber realmente o que é se queria no meio daquilo tudo... mas para quem acaba o ler o livro a experiência da leitura deixa uma marca inolvidável...
sábado, setembro 16, 2006
A realidade tem destas coisas !!!

... é o que apetece quando outro dia me estive a deparar não sei onde, mas sei que foi através do site de Blogs de Ciência, um inventário de tudo quanto é de blogs por cá que dão novidades e debates científicos. Trata-se de uma situação caricata em que um meteorito acertou em cheio num capot de um carro, provocando no entanto estragos mínimos. Há uns anos lembro-me de ver no filme Evolution uma cena em tudo semelhante. Agora a realidade mais uma vez decidiu confirmar e ir mais longe até que a ficção...
quinta-feira, setembro 07, 2006
O que fazer com... o agora anão Plutão ?
Pois é, a partir deste momento Plutão deixou de ser considerado um planeta capaz de figurar naquele que é o considerado o lote dos 'Grandes Oito' (2) Mas perguntemo-nos a nós próprios: como foi possível manter este equívoco durante 76 anos. Isto fez-me lembrar o famoso caso do Homem de Piltdown, que durante mais anos (não faço ideia quantos!) foi considerado o ancestral do tronco do género Homo em vez do actual Australopitecus. Teria sido resultado do poderio estado-unidense, uma vez que o planeta foi descoberto por um cidadão estado-unidense, Clyde Tombaugh ?
Certo, certo é que neste momento Plutão foi 'reclassificado' como mais um objecto "tipo asteróide"(3).
Mas, no fundo, penso que esta era sem dúvida a decisão mais correcta, tendo em conta os seguintes factos:
- a órbita irregular de Plutão, bem conhecida desde a sua descoberta é extremamente irregular, tendo o seu plano orbital inclinado em relação à eclíptica, que é o plano comum donde as órbitas individuais de cada planeta
- a descoberta de que Plutão possui uma lua, que, em rigor não é uma lua, Caronte, pois tem mais de 50% das dimensões daquele que devia ser o astro principal. A isto se juntou a descoberta mais recente efectuada pelo Hubble de mais corpos orbitais "em volta" de Plutão. De modo que, na realidade de não se fala de apenas um planeta chamada Plutão, mas sim de um sistema de corpos celestes que orbitam em volta de um centro de gravidade de comum, sistema esse sim que, por sua vez, orbita isso sim à volta do Sol.
- a descoberta recente de um corpo com características muito semelhantes às de Plutão, mas de dimensões superiores a este último e situado a uma distância idêntica. Trata-se de 2003 UB313, alcunhado por Xena pelos seus descobridores, nome no entanto não aceite pela UAI .
Aliás, diga-se em abono da verdade a respeito dos planetas tradicionais, existe uma subdivisão entre os planetas rochosos ou telúricos, que possuem uma superfície sólida, que são Mercúrio, Vénus, Terra e Marte, dos chamados planetas gasosos ou jupiterianos, que não possuem uma superfície sólida, todos de enormes dimensões, fazendo várias dezenas ou centenas de vezes o tamanho da Terra e que são Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. Se será necessário ainda redefinir o conceito de planeta para ter em conta este aspecto, não faço ideia, penso que seja melhor não voltar a mexer nas coisas.
O que é engraçado é que Ceres, o maior asteróide do Sistema Solar, saltou de categoria e foi promovido para a mesma categoria de planeta.
Estou a ver que esta pretensa 'despromoção' ainda vai fazer correr muita tinta, pois familiares e admiradores de Tombaugh, o descobridor do planeta, e entre outros astrónomos mais fanáticos, exigiram a reclassificação de Plutão no lugar que ocupou durante 76 anos.
E provavelmente a nova sonda New Horizons,lançada este ano para substituir a Pluto Express, e destinada especialmente a alcançar Plutão e o seu sistema, em 2015, irá relançar o debate por volta dessa data.
(1) Em rigor, penso que o maior feito cientifico do ano tem de ser considerado o feito da proeza de retirar células estaminais de um embrião humano sem as danificar.
(2) Vejam lá que a Terra também não é tão grande como os quatro gigante gasosos: Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno.
(3) do qual Ceres é o 1º da lista
quarta-feira, junho 29, 2005
Ultra... VNC!!!
quinta-feira, junho 23, 2005
Contador de tráfego...
Como se faz em Caml...
let hip_length = fun (a,b) -> sqrt (sqr a +. sqr b);;
O problema é que em CAML a função sqrt só aceita float's como argumentos, e depois outro problema é que sqr (elevado ao quadrado) só aceita int's e devolve int's, e estou a usar o operador +. que serve para somar float's, mas como o sqr só devolve int's, nao posso usar +., mas depois o sqrt so quer float's. E o problema é ? E isto é ridículo, porque pelos vistos o CAML não converte inteiros para float's automaticamente, como no C, usando um cast. Experimentei a função float_of_int, mas aquela espelunca continua a dar erro!
E eu não sei para que raio é que precisa desta #%?[]&%$# de linguagem, só serve mesmo para irritar um gajo e obrigar no pior dos casos, ficar mais um ano a pagar propinas!
Lá resolvi o malfadado problema, descobri que o Caml afinal não tem função sqr! Tive que definir manualmente usando a*a e b*b e depois, sim, a partir da soma, é que faço a conversão para float usando a função float_of_int, de forma que o código no final fica com o seguinte aspecto:
let hip_length = fun a b -> sqrt (float_of_int(a*a + b*b));;
Os parêntesis em volta do float_of_int são necessários visto por que senão nada funciona depois!!!
